O preço da transformação
Por que uma igreja tão numerosa como a atual não está mudando a nação? Somos dezenas de milhões e vemos o Brasil apodrecer cada vez mais em sua moral e ética. Por que? Porque não estamos pagando preço para ser um modelo irrepreensível!
Por que uma igreja tão numerosa como a atual não está mudando a nação? Somos dezenas de milhões e vemos o Brasil apodrecer cada vez mais em sua moral e ética. Por que? Porque não estamos pagando preço para ser um modelo irrepreensível!
Pr.
Danilo Figueira
Nós
já entramos no período mais desafiador da História em relação à fé. As nações
estão sendo rapidamente formatadas por um espírito anticristo e a realidade
crescente é de valores, ética e leis absolutamente opostos ao Cristianismo. À
medida em que o tempo passa, aumenta a sensação de que estamos falando sozinhos
e de que o que falamos deve ser reprimido. Deixe-me apontar alguns dos
principais pontos dessa oposição de valores...
Em
primeiro lugar, pensemos na desconstrução da família. O divórcio e o concubinato
são conceitos estabelecidos da cultura e na lei do nosso país (agora, com novas
facilidades legais, nos últimos meses os divórcios cresceram 149% em São
Paulo). A união civil entre homossexuais e o direito dados a estes de adotarem
crianças também já vigoram no Brasil (o "casamento", com caráter
religioso, é a próxima conquista da pauta, para acabar de vez com a
heteronormatividade e com o conceito original de família).
Há
também um enorme esforço dos formadores de opinião e da mídia tentando impor o
confinamento da fé. O mundo trata de limitar o exercício da fé ao espaço dos
guetos religiosos e, se possível, da individualidade humana. Cada vez mais se
rejeita a idéia da crença pública, divulgada, conquistadora. As leis que vem
sendo propostas e aprovadas no Brasil são só a repercussão do movimento das
nações ocidentais: proibição de símbolos religiosos em repartições públicas,
limitação de espaços para programas religiosos na mídia, cerceamento de
qualquer tipo de discurso que oponha práticas religiosas ou culturais
estabelecidas (por conta disso, crianças indígenas são enterradas vivas no
Brasil sem que ninguém possa interferir e o ensino contra ritos de feitiçaria e
idolatria está para ser criminalizado como preconceito, como já é feito em
muitas nações). Em outras palavras, o mundo nos impõe cada vez mais a idéia:
“Se vocês têm fé, guardem-na com vocês e não nos incomodem!”
Outro
ponto de conflito é foco nas liberdades individuais e o pragmatismo. O
endeusamento do indivíduo é a grande marca desta geração. O que vale é a
liberdade de cada um e o prazer pessoal. É esta mentalidade hedonista que
justifica, não apenas a prática do aborto, por exemplo, mas as leis que a defendem.
Sob esta ótica, uma mulher que tenha direito sobre o seu próprio corpo pode
decidir entre seguir com uma gravidez ou interrompê-la. Questão pessoal... Esta
é uma bandeira defendida e fomentada pela ONU e também pelo atual governo
brasileiro. Junte-se a isso a mentalidade pragmática desta geração, segundo a
qual o que interessa é o resultado imediato de cada ação humana ou social e não
os valores que possam contradizer tal direção. Ora, como o Cristianismo defende
e se baseia em valores, alguns dos quais só terão seus frutos revelados na
eternidade, é visto (e será cada vez mais) como retrocesso pela sociedade
secular.
Diante
deste cenário tão contraditório, que opções restam ao povo de Deus? Se
permanecermos passivos, como quem não tem nada a ver com tudo isto, seremos
engolidos pelo secularismo e morreremos. Teremos assumido a condição descrita
por Jesus como “sal insípido” e para nada prestaremos, exceto para ser pisados
pelos homens.
Se
nos colocarmos na defensiva, apenas preocupados em guardar o nosso espaço,
talvez resistamos por um tempo, mas não seremos capazes de conquistar as
próximas gerações e igualmente seremos tragados, ainda que mais lentamente.
Escolher ser sal no saleiro não parece ser uma opção viável...
Resta-nos,
então, apenas uma possibilidade digna: assumirmos a condição de agentes
transformadores, nos apresentando ao mundo como um modelo completamente
distinto e pagando o preço que for necessário para sustentá-lo. Talvez isso
equivalha mais à proposta de Jesus de sermos “sal da terra”, que salga, que
cura, que dá sabor...
Mas
será isso possível, ou uma utopia da nossa religiosidade? Poderíamos nós
causar uma verdadeira transformação social? A igreja pode levar a sociedade a
mudar seus valores?
Se
olharmos para o nível de corrupção que a igreja moderna apresenta e para a
densidade das estruturas de iniquidade que regem a atual geração, diremos que
não. Se, porém, colocarmos nossos olhos na Palavra de Deus, de onde pode nascer
verdadeira fé, seremos inspirados a lutar por este ideal. A história de Daniel
e seus três amigos (Hananias, Misael e Azarias) é um modelo para nós. Estes
homens, que foram lançados ainda jovens no contexto absolutamente pervertido e
pagão de Babilônia, viveram uma vida de compromisso tão radical com a fé e os
valores da Palavra de Deus que se tornaram influência real sobre um grande
império, mudaram a mentalidade de reis e deflagraram revisões inclusive nas
leis, fazendo com que os valores santos sobrepujassem os decretos de iniquidade
que vigoravam em sua época, em sucessivos governos (conf. Dn 3:28-30 e
6:26-30).
Como
conseguiram tal proeza? O que de fato precisamos assumir em nossas vidas para
ser sermos, mais do que uma igreja numerosa, uma geração transformadora?
A
primeira verdade que me salta aos olhos ao ler a história de Daniel e seus
amigos é que os transformadores não fogem ao desafio de serem homens "sem
defeito". A busca de Nabucodonosor era por pessoas que pudessem ser
um modelo (leia Dn 1:3-6, onde a expressão usada é "jovens sem defeito).
De certa forma, esta é a busca do mundo nos nossos dias. Os medíocres não serão
notados e não causarão nenhum tipo de influência... Daniel e seus amigos
aceitaram o desafio, se esforçaram por apresentar-se excelentes, porém sob um
padrão distinto do de Babilônia. Eles aceitaram ser investigados, avaliados.
Estavam dispostos a se oferecer como referência, mas claramente não seguiriam
os padrões do mundo. Seus valores eram outros e eles estavam dispostos a
revelar uma excelência que Nabucodonosor não conhecia: a excelência do céu.
Por
que uma igreja tão numerosa como a atual não está mudando a nossa nação? Somos
dezenas de milhões de evangélicos e vemos o Brasil apodrecer cada vez mais em
sua moral e ética social... Por que? Porque não estamos pagando preço para ser
um modelo irrepreensível. Nosso comportamento não tem sido coerente com a nossa
fé. Aceitamos ser medíocres em nossa expressão, em nosso compromisso. Por isso,
fazemos volume, mas não causamos transformação... O mundo só ouvirá
"crentes sem defeito"!
A
igreja precisa entender que apenas volume não causa mudanças. O propósito de
Deus para nós foi definido com muita sabedoria e objetividade por Paulo, em
Filipenses 2:15. "Para que sejais irrepreensíveis e sinceros,
filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre
a qual resplandeceis como luzeiros no mundo".
Agora,
precisamos estar conscientes de que não é possível alcançar a excelência em
nada, a não ser que estejamos absolutamente comprometidos com uma visão. Como
o preço é muito caro, só o pagam aqueles que estão dominados por um ideal.
Aqueles quatro jovens investiram tudo o que tinham em ser uma referência do
reino de Deus no Império Babilônico e esse investimento lhes custou muitos anos
de vida fiel e irretocável.
Na
verdade, os transformadores nascem da decisão de não se contaminar. O mundo em
que Daniel e seus amigos foram plantados era um mundo consolidado em seus
valores, cultura, linguagem e leis iníquas. Para os que se amoldassem aquele
sistema haveria benefícios imediatos. Podiam comer da mesa do rei e beber do
seu vinho livremente. Assim, teriam todas as facilidades para alcançar o status
de referência babilônica, sem grandes dificuldades. O que a Bíblia nos informa,
porém, é que "Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a
porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia" (Dn
1:8) e logo foi seguido nesse propósito por seus companheiros.
Decidir
não se contaminar é antes de tudo definir a Palavra de Deus como única fonte de
princípios, práticas e valores. Só se guarda de contaminação quem tem um
conceito definido de pureza. No caso de Daniel, seguido por seus amigos, a
fonte era a Lei do Senhor. Era a partir dela que eles definiriam o que
aceitavam de Babilônia e o que não aceitavam.
Decidir
não se contaminar é, na prática, abrir mão de benefícios e possibilidades do
mundo para sustentar os valores do céu. Estou falando de abster-nos, de
negar-nos ao caminho largo das facilidades mundanas para vivermos sob uma dieta
celestial. Quer que eu traduza? Não prestamos para transformar nada se somos
crentes que enrolam seus credores e deixam dívidas caducar até ao ponto de não
poderem mais ser cobradas; se subornamos agentes de trânsito para não ter o
prejuízo maior de uma multa; se assinamos declarações mentirosas para termos
mais ganhos ou menos perdas em nossos negócios; se fazemos "gato"
para manter um ponto adicional de TV por assinatura em nossas casas; se votamos
em políticos "evangélicos" para que eles sejam simples
"pistolões" que nos ajudem a "furar a fila" e ganhar casas
de COHAB sem participar dos sorteios legais ou que facilitem a missão de
construir nossos templos com dinheiro da imoralidade ética; se nossos jovens
brincam com a afetividade e a pureza sexual em namoros tão erotizados e sem
compromisso como os do mundo; se nossos casamentos também continuam terminando
no atalho covarde do divórcio, enfim, se nos comportamos com esse tipo de
postura baseada no chavão do "todo mundo faz", continuaremos sem
condição que confrontar e questionar o padrão da sociedade sem Deus, por
estarmos absolutamente conformados e comprados por ele. Ou seja, o que todo
mundo faz só serve para nos colocar na condição medíocre e irrelevante de todo
mundo.
Decidir
não se contaminar é apostar numa outra forma de crescer na vida. Aqueles quatro
jovens tinham a ambição de prosperar, de tornarem-se expoentes, de serem
aprovados. Mas o caminho que eles escolheram para consegui-lo era completamente
distinto. Enquanto os babilônicos se fiariam na carne, eles se fiariam na
santidade... É esta a opção radical que a igreja precisa fazer e, infelizmente,
de uma forma geral ainda não fez.
Outra
coisa importante a destacar é que os transformadores se preparam em todos os
níveis para conquistar influência. Daniel e seus amigos entenderam que era
preciso investir no natural e no espiritual, aliar conhecimento e fé, razão e
revelação. Se fossem só místicos, nunca chegariam a obter espaço sólido no
mundo concreto. Se fossem só cabeças pensantes, pessoas tecnicamente preparadas,
nunca poderiam falar em nome de Deus. Por isso, dedicaram-se fortemente nas
duas dimensões, fazendo do espiritual a base para o natural, mas estabelecendo
a excelência como meta para tudo. E quando, finalmente, foram avaliados ainda
em sua juventude, o testemunho bíblico é que não foram achados outros
tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; portanto ficaram assistindo
diante do rei. E em toda a matéria de sabedoria e de discernimento,
sobre o que o rei lhes perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos
os magos e encantadores que havia em todo o seu reino" (Dn
1:19-20).
A
verdade é que não temos como tornar-nos modelos para o mundo se não buscarmos
excelência naquilo que fazemos. É como eu falei: a mediocridade não chama a
atenção... Daniel e seus amigos ocuparam espaço na área política e na
administração pública porque estavam preparados para isto. Se não tivessem
capacidade provada, não passariam de "gurus" do rei. Mas tornaram-se
governantes, porque além de abençoados, tinham preparo para governar (conf. Dn
2:48-49). O que quero dizer é que uma igreja transformadora é uma
igreja que envia gente "sem defeito" para ocupar espaço em todas as
áreas da sociedade. Hoje, precisamos mais do que de pastores excelentes.
Precisamos de educadores excelentes, de empresários excelentes, de políticos
excelentes, de profissionais liberais excelentes, de trabalhadores excelentes,
de artistas excelentes para mudar a sociedade.
Quero
finalizar esse texto discorrendo sobre uma última e fundamental ideia: os transformadores
são pessoas que não negociam seus princípios e sua devoção. Há momentos em que
nossos valores e nossa fé são provados. No caso de Daniel e seus companheiros,
o estilo de vida que eles propuseram foi ameaçado, não só pela privação de
privilégios, mas pela punição de morte. Diante da fornalha ardente (conf. Dn
3:14-18) e da cova dos leões (conf. Dn 6:7-11), não titubearam e nem
relativizaram sua fidelidade ao Senhor.
Na
verdade, Daniel, Hananias, Misael e Azarias nunca aceitaram barganhar sua fé.
Quando jovens, ainda em busca de um lugar ao sol, decidiram não se contaminar
com os manjares do rei. Eles queriam subir na vida, mas escolheram o caminho
estreito e mais difícil porque esse era o caminho de Deus... Creio que isso
deve nos levar a uma avaliação: Como estamos buscando prosperar na vida? Como
os do mundo ou como os transformadores?
Além
do mais, esses homens não negociaram seus valores depois, para manter o lugar
que conquistaram. Quando Daniel assistia diante do rei e contava com sua simpatia,
não transigiu quanto à palavra profética e não deixou de falar segundo o
coração de Deus, mesmo que não desse IBOPE ou mesmo o expusesse à rejeição...
Ele não manteria o seu lugar às custas de se corromper.
Finalmente,
Daniel e seus amigos não negociaram seus valores quando os decretos de
iniqüidade ameaçaram suas vidas. A fidelidade dos transformadores aos
princípios que crêem vai às últimas consequências. Por duas dramáticas
ocasiões, esses homens foram expostos à morte por sua devoção, mas não transigiram.
A fornalha ardente e a cova dos leões não foram ameaças suficientes para
mudarem seu comportamento... E mesmo que Deus não os livrasse dos decretos de
iniqüidade, estavam dispostos a manter sua visão.
O
resultado de todo esse santo radicalismo (entenda esta palavra em sua forma
literal, ou seja, a atitude de alguém que não se desprende de sua raiz), foi
que a aprovação de Deus e o impacto que seu testemunho causou na vida de
grandes reis desaguou numa influência tão forte que até as leis de um grande
império foram mudadas por mais de uma vez em função do Deus de Daniel,
Hananias, Misael e Azarias (conf. Dn 3:28-30 e 6:26-30).
Se
nós tivermos a disposição de pagar o preço que eles tiveram, porque não podemos
mudar o Brasil?
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JESUS CRISTO É O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA!
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